Praticar atividades físicas traz muitas consequências para homens e mulheres. Você sabe quais?
Após a Segunda Guerra Mundial, as mudanças socioculturais e o posicionamento da legislação americana em 1972, proibindo a discriminação de mulheres nos esportes, possibilitaram que milhões de mulheres se empenhassem em atividades físicas de baixa ou alta intensidade. Junto a isso, como em qualquer atleta, além das lesões osteoarticulares, as mulheres estão expostas também às alterações hormonais e suas consequências.Com o treinamento intenso (overtraining), a atleta fica exposta a situações como comportamento alimentar inadequado ou anorexia, amenorréia ou oligomenorréia (alteração no ciclo menstrual) e osteopenia ou osteoporose; sendo essas alterações classificadas como um distúrbio neuroendócrino.
O treinamento intenso, levando ao estresse físico, gera no hipotálamo uma cascata de adaptação neuroendócrina, com aumento da produção de ACTH, adrenalina, cortisol, prolactina e GH, responsável pelo estímulo hepático para a produção de fator de crescimento insulinóide (IGF-1) que atua no trofismo ósseo. Contudo, o comportamento alimentar alterado ou anorexia, consequentes ao overtraining, levam a queda de alguns desses hormônios, como GH, IGF-1 e deidroepiandrosterona (DHEA), comprometendo a formação óssea e sua densidade.
Tendo em vista que atletas iniciam suas preparações e treinamentos na pré-adolescência e adolescência, encontramos uma grande problema, pois o maior ganho de massa óssea ocorre até os 20 anos de idade, sendo portanto, uma época crucial para a formação desse tecido.
Os níveis de estrogênio, assim como o fator hereditário e o padrão nutricional, também determinam a massa óssea. A maior produção de opióides endógenos diminui a produção do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), diminuindo os níveis de FSH e LH levando a queda dos níveis de estrogênio, tendo como resultado alterações menstruais, aumento de risco em fraturas e mudança na composição e na gordura corporal. O estado de hipoestrogenismo (baixo estrogênio), pode levar a um atraso na menarca (primeira menstruação), podendo ocorrer após os 14 ou 18 anos e leva ao retardo do surgimento dos caracteres sexuais secundários (crescimento dos seios, presença de pêlos pubianos e axilares, alargamento da bacia, etc..)
Para o diagnóstico, avalia-se antecedentes menstruais, hábitos alimentares, uso de medicamentos e fatores hereditários; é interessantes a solicitação de exames com dosagens hormonais, os quais podem informar quanto a causa da alteração menstrual e fazer diagnóstico diferencial com outras síndromes.
O tratamento consiste, além de um acompanhamento psicológico, incentivar a redução da carga de trabalho na atividade física, em torno de 10 a 20%; melhorar a alimentação e suplementação com vitaminas. Com essas medidas, foi observado em estudos, uma normalização do ciclo menstrual e aumento da densidade mineral óssea.